Os livros de Margaret Atwood, como O Conto da Aia e Os Testamentos, são sempre os mais recomendados quando queremos mostrar uma realidade onde direitos são revogados de um dia para o outro. Nesses livros, a autora demonstra como ameaças aparentemente insignificantes ganharam força para criar Gilead, o regime onde o totalitarismo teocrático tomou conta do país, após um golpe de Estado.

O distópico parece ser muito real e próximo quando lembramos que regimes ditatoriais já aconteceram não muito tempo atrás. Encontramos no livro Meninos sem Pátria, de Luiz Puntel, uma história tão reveladora para o desconhecido que chegou a ser proibida em escolas religiosas.

O livro brasileiro conta a história de Marcão e sua família, que precisaram fugir do país para se refugiar na França. Seu pai, um jornalista que não fechava os olhos para as torturas que a ditadura militar praticava com seus opositores, não deixava de usar a imprensa para denunciar ao público os abusos que estavam acontecendo.

De um lado, temos, em sua maior parte, mulheres perdendo seus direitos por discursos e atitudes autoritárias e ditatoriais em uma ficção científica; de outro, um livro que mostra como um jornalista e sua família tiveram de fugir de sua pátria por fazer parte da oposição, enxergar com os próprios olhos e não se calar.

O Conto da Aia escancara a perda abrupta de direitos, com foco na opressão e no apagamento das mulheres sob o controle ditatorial, com a desculpa de que o uso das mulheres era controlado devido ao “problema” de fertilidade que o mundo enfrentava. Do outro, o romance de Puntel retrata a dor do exílio e o preço pago por quem decidiu não se calar diante do autoritarismo real. Ambas as obras nos lembram de que a liberdade nunca é garantida e de que é preciso enxergar a verdade e resistir, assim como a rede clandestina Mayday em Gilead.

Relembrar essas obras é um dos caminhos para defender a nossa humanidade.

Sobre o autor

LUNARSK

Designer de moda apaixonada pela cultura pop.

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